A recente decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma tarifa base de 10% sobre todas as importações, além de sobretaxas para produtos de países como China, União Europeia e Japão, reverberou fortemente nos mercados agrícolas. As commodities soja e milho, pilares do agronegócio global, foram diretamente afetadas pelas incertezas comerciais que se intensificam.
O temor de retaliações comerciais por parte de grandes compradores como a China afeta diretamente as projeções para a safra 2025/26. A China, que nos últimos anos vem diversificando seus fornecedores, já sinaliza possível redução de compras dos EUA. Isso pode beneficiar o Brasil e a Argentina a curto prazo, mas a instabilidade prejudica o planejamento dos produtores.
Cotações Oscilam em Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja recuaram para US$ 10,29½ por bushel, enquanto o milho fechou a US$ 4,57¾. A volatilidade tem sido constante desde o anúncio das tarifas, com operadores tentando precificar os impactos potenciais no fluxo global de grãos.
Para o Brasil, as tensões comerciais entre EUA e China abrem espaço para aumento nas exportações, mas o cenário exige prudência. O real valorizado frente ao dólar reduz a competitividade dos produtos brasileiros, e gargalos logísticos continuam a limitar o aproveitamento pleno dessas oportunidades.
Produtores Brasileiros Acompanham com Atenção
Cooperativas e produtores do Centro-Oeste relatam aumento na cautela nas negociações de grãos. Muitos preferem aguardar a evolução do cenário antes de fechar contratos futuros, preocupados com a oscilação cambial e com os custos elevados de produção.
Com a elevação dos preços de insumos importados — como fertilizantes e defensivos agrícolas — o custo de produção tende a subir. Isso afeta diretamente a rentabilidade das culturas e pode levar a ajustes nas áreas cultivadas para o próximo ciclo.
Risco de Inflação Global
Analistas econômicos alertam que o aumento das tarifas pode desencadear uma onda inflacionária nos países importadores. O encarecimento dos alimentos, por sua vez, pressiona governos e pode gerar instabilidade política em regiões mais sensíveis.
As guerras comerciais prejudicam o desenvolvimento de cadeias produtivas estáveis. O investimento em infraestrutura, pesquisa e inovação tende a ser reduzido em cenários de incerteza, comprometendo a competitividade do agro em nível global.
Pressão Sobre Acordos Multilaterais
As tarifas unilaterais impostas pelos EUA também aumentam a pressão sobre organismos internacionais como a OMC, que perdem força diante de ações fora do escopo dos tratados. A confiança nas regras do comércio global fica comprometida.
A política comercial agressiva adotada pelos EUA em 2025 já causa impactos concretos nos mercados de soja e milho. Embora o Brasil possa se beneficiar momentaneamente, o ambiente de incerteza exige estratégia, cautela e articulação diplomática para proteger o agro nacional e manter o país como potência exportadora.
Fontes: USDA, CME Group, Canal Rural, Notícias Agrícolas, Bloomberg, Reuters, MAPA, CEPEA