A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reuniu líderes e representantes do setor sucroenergético para definir a agenda prioritária de 2025. A reunião ocorreu em meio a um cenário econômico desafiador, marcado por inflação elevada, juros altos e incertezas políticas que impactam diretamente o setor.
O setor de cana-de-açúcar representa uma parte significativa da economia brasileira, respondendo por aproximadamente 2% do PIB nacional e empregando diretamente mais de um milhão de trabalhadores. Durante a reunião, foi reforçada a necessidade de políticas públicas claras que reconheçam a importância estratégica da cana para o desenvolvimento econômico e energético do país.
Desafios da Inflação e Juros Altos
A inflação persistente e as elevadas taxas de juros são preocupações centrais para o setor. Produtores enfrentam dificuldades para acessar crédito a custos razoáveis, o que compromete investimentos em tecnologia e expansão da produção. A CNA enfatizou a necessidade de medidas urgentes que permitam maior competitividade do setor sucroenergético.
Outro destaque da agenda é a sustentabilidade ambiental e social. O setor sucroenergético brasileiro já é referência mundial em produção sustentável, mas precisa enfrentar desafios como a certificação internacional e a rastreabilidade da produção. Incentivos para práticas agrícolas sustentáveis e apoio governamental na obtenção de certificações foram apontados como prioridades.
Tecnologia e Inovação
A adoção de novas tecnologias foi destacada como essencial para manter a competitividade global do setor. Tecnologias relacionadas à produção de bioenergia, biogás, biofertilizantes e novas variedades de cana-de-açúcar mais resistentes às mudanças climáticas são áreas estratégicas para investimento.
No mercado externo, o setor enfrenta desafios com barreiras comerciais e subsídios adotados por países concorrentes. A agenda prioritária inclui estratégias para negociar melhores condições nos acordos comerciais internacionais e combater práticas protecionistas, especialmente na União Europeia e Estados Unidos.
Política Energética Nacional
A importância do etanol na matriz energética brasileira também foi amplamente discutida. Representantes pediram uma política energética nacional que valorize o biocombustível como opção limpa e economicamente viável, especialmente frente à crescente preocupação global com as mudanças climáticas.
A CNA apresentou reivindicações específicas para o Plano Safra 2025/26, incluindo aumento de recursos para crédito rural, melhores condições de financiamento para pequenas e médias propriedades e taxas de juros compatíveis com a realidade econômica dos produtores.
Diálogo com o Governo
Um ponto crucial debatido foi a necessidade de manter diálogo aberto e constante com o governo federal e legislativo, garantindo que as demandas do setor sejam compreendidas e incorporadas nas políticas públicas e legislativas que afetam diretamente o agronegócio.
A agenda prioritária definida pela CNA para o setor sucroenergético em 2025 visa enfrentar com assertividade os desafios econômicos, ambientais e políticos atuais. Investimentos em tecnologia, sustentabilidade, crédito acessível e defesa comercial são essenciais para que o setor mantenha sua posição estratégica e competitiva.
Fontes: CNA, Ministério da Agricultura, MAPA, Valor Econômico, Canal Rural, Notícias Agrícolas