Cenario Rural

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Recuperação Lenta, Exportações Estáveis e Custos em Alta

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O mercado do boi gordo no Brasil inicia 2025 com sinais de recuperação moderada, após um 2024 marcado por preços baixos e forte descapitalização dos pecuaristas. A arroba, que chegou a ser negociada abaixo de R$ 200 em alguns momentos do ano passado, retomou fôlego e atualmente gira entre R$ 235 e R$ 245 em São Paulo, segundo o Cepea. Apesar da alta, os custos continuam pressionando a rentabilidade.

Oferta Maior que a Demanda Interna

A recomposição do rebanho nos últimos anos, aliada à retenção de fêmeas observada entre 2022 e 2023, resultou em maior oferta de animais prontos para abate neste primeiro trimestre. No entanto, o consumo interno ainda não reagiu de forma significativa, limitado pelo poder de compra da população e pela concorrência com proteínas mais baratas, como o frango.

A boa notícia vem das exportações, que seguem sustentando o mercado. Em fevereiro, o Brasil embarcou 194 mil toneladas de carne bovina in natura, segundo dados da Secex, um crescimento de 8% em relação ao mesmo mês de 2024. A China continua sendo o principal destino, absorvendo mais de 55% do volume total.

Cenário Chinês Ainda Incerto

Apesar da demanda chinesa seguir forte, há incertezas quanto ao ritmo de compras no segundo semestre. A recente reestruturação do setor de food service na Ásia e as medidas sanitárias mais rígidas adotadas por Pequim podem interferir nas liberações e habilitações de plantas frigoríficas.

Os custos de produção continuam sendo um desafio para o pecuarista. Mesmo com leve recuo nos preços do milho e farelo de soja no início do ano, o custo médio por arroba produzida ainda gira em torno de R$ 245 em sistemas de confinamento, segundo a Scot Consultoria. Isso significa que muitos pecuaristas operam no limite da margem.

Confinamento em Queda

Com a rentabilidade apertada, a expectativa é de redução no número de animais confinados neste primeiro giro de 2025. Muitos produtores têm optado por estratégias mais extensivas ou pela venda antecipada de animais em regime de semi-confinamento para aliviar a pressão financeira.

Analistas apontam que o ciclo pecuário pode estar próximo de iniciar uma nova fase de valorização. A diminuição gradual da oferta ao longo do segundo semestre, aliada à manutenção das exportações em ritmo forte, pode sustentar preços acima de R$ 250 por arroba em São Paulo até o final do ano.

Frigoríficos Entre Margens e Pressões

As indústrias frigoríficas, por sua vez, enfrentam desafios com o custo elevado da matéria-prima e margens mais apertadas na venda de cortes no mercado interno. A alta competitividade internacional e a volatilidade do câmbio também impactam as decisões de abate e comercialização.

Sustentabilidade Ganha Relevância

A rastreabilidade e as exigências ambientais seguem em pauta. A União Europeia deve intensificar as exigências a partir de julho, o que força o Brasil a acelerar a regularização ambiental das propriedades e o monitoramento das cadeias produtivas. Frigoríficos e exportadores têm ampliado exigências sobre seus fornecedores.

O mercado do boi gordo em 2025 caminha para um cenário de reequilíbrio, mas com desafios claros no curto prazo. A exportação ainda é o principal motor da pecuária de corte brasileira, mas a recuperação da rentabilidade depende de uma combinação entre ajuste na oferta, custos mais controlados e consumo doméstico aquecido.

Fontes: Cepea, Secex, MAPA, CNA, Scot Consultoria, Valor Econômico, Notícias Agrícolas, Abrafrigo

 

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