A análise mensal do agronegócio referente a março de 2025 traz dados animadores para o setor: a produção total de grãos foi elevada para 328,3 milhões de toneladas, um avanço de 10,3% em relação ao ciclo 2023/24. O aumento reflete a recuperação da produtividade em estados-chave como Mato Grosso, Goiás e Paraná, após um ciclo anterior marcado por adversidades climáticas.
Crescimento na Área Plantada
A área plantada no país também cresceu, alcançando 81,6 milhões de hectares — 2,1% a mais do que na safra passada. Esse crescimento foi puxado por culturas como milho segunda safra e soja, que mantiveram boas margens de lucratividade, incentivando o aumento de área em várias regiões produtoras.
Apesar das preocupações com veranicos e chuvas irregulares no início do ano, o clima colaborou no momento decisivo das lavouras. As precipitações voltaram em fevereiro com volume e distribuição mais adequados, garantindo o enchimento de grãos e a finalização saudável da safra de verão.
Exportações em Alta
Com o bom desempenho da colheita, os embarques seguiram aquecidos. O Brasil exportou, somente em março, mais de 12,5 milhões de toneladas de soja e 2,3 milhões de toneladas de milho. A China, principal compradora, respondeu por 77% do volume exportado de soja no período, reforçando sua dependência do grão brasileiro.
No mercado cambial, a projeção para a taxa de câmbio foi revista para baixo, agora estimada em R$ 5,95 até o fim de 2025. A valorização do real frente ao dólar é atribuída ao aumento da entrada de divisas com as exportações e à manutenção da taxa de juros atrativa para investidores externos.
Efeitos do Câmbio no Custo e na Rentabilidade
A moeda mais forte traz alívio para os custos com importação de insumos como fertilizantes e defensivos, reduzindo a pressão sobre as margens dos produtores. Por outro lado, pode afetar a competitividade das exportações, exigindo maior eficiência logística e comercial.
Com volumes recordes de produção e exportação, a infraestrutura volta a ser tema prioritário no setor. Portos, armazéns e rotas de escoamento precisam ser modernizados para evitar gargalos. Especialistas defendem a aceleração de concessões ferroviárias e rodoviárias para garantir fluidez ao agronegócio.
Produtores que investiram em tecnologia e gestão de risco colhem resultados mais consistentes. O uso de agricultura de precisão, seguro rural e diversificação de culturas tem se mostrado essencial para manter a rentabilidade em um cenário de custos elevados e clima instável.
Expectativas para o Segundo Trimestre
As perspectivas seguem positivas para o segundo trimestre, com previsão de manutenção no ritmo de embarques e estabilidade dos preços internacionais. A próxima etapa é o acompanhamento do milho safrinha, que deve consolidar a performance da safra 2024/25.
A análise de março confirma o momento robusto do agro brasileiro. Com produção recorde, exportações em alta e moeda valorizada, o setor entra no segundo trimestre com otimismo. Mas o crescimento sustentável exigirá investimentos estratégicos em logística, inovação e adaptação às exigências do mercado global.
Fontes: Conab, Ministério da Agricultura, Ipea, Canal Rural, Notícias Agrícolas, Valor Econômico, Agrostat, Banco Central