O mercado global de café atravessa um período de forte volatilidade em março de 2025. Os contratos futuros do café arábica, negociados na ICE Futures de Nova York, variam entre 185 e 195 centavos de dólar por libra-peso, pressionados por incertezas climáticas no Brasil e ajustes na oferta global. O café robusta, por sua vez, mantém-se em alta, sustentado por estoques apertados e demanda crescente na Ásia.
Clima Incomum Preocupa Produtores
No Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, o clima segue instável. Após um verão marcado por ondas de calor e chuvas irregulares em regiões cafeeiras de Minas Gerais e Espírito Santo, há preocupação com a florada das lavouras e a formação dos grãos. Técnicos já apontam possibilidade de revisão para baixo nas estimativas iniciais da safra 2025/26.
Enquanto isso, países como Vietnã e Indonésia, grandes produtores de robusta, também enfrentam problemas climáticos e logísticos, o que restringe a oferta mundial. A escassez está elevando os prêmios de exportação e favorecendo países como Colômbia e Brasil, que conseguem manter regularidade nos embarques.
Demanda segue aquecida
A demanda global por café permanece resiliente, mesmo com o cenário macroeconômico ainda incerto. O consumo em mercados emergentes continua em expansão, puxado por países da Ásia, África e Europa Oriental. Grandes redes de cafeterias também seguem ampliando sua presença em mercados secundários.
Em fevereiro, o Brasil exportou 3,2 milhões de sacas de café, alta de 11% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo o Cecafé. O destaque fica para o café arábica, que responde por mais de 80% do volume embarcado, seguido pelo robusta e pelas exportações de café industrializado.
Valorização Interna da Saca
No mercado interno, a saca de 60 kg do arábica é negociada entre R$ 950 e R$ 1.050, dependendo da praça e da qualidade. Já o robusta gira em torno de R$ 750 a R$ 810. A valorização é sustentada pela demanda externa firme e pela perspectiva de menor oferta na próxima temporada.
Com o dólar oscilando entre R$ 5,00 e R$ 5,10, muitos produtores estão optando por vender parte da safra antecipadamente. Outros adotam estratégias de hedge para se proteger das incertezas cambiais e garantir margem frente aos custos de produção, que seguem elevados.
Sustentabilidade em Foco
Cada vez mais exigente, o mercado internacional tem pressionado por práticas sustentáveis e rastreabilidade nas cadeias produtivas. Exportadores brasileiros estão investindo em certificações como Rainforest Alliance e Fair Trade, além de ampliar projetos de agricultura regenerativa.
Especialistas do setor afirmam que a produção da safra 2025/26 pode ficar entre 58 e 61 milhões de sacas, dependendo das condições climáticas entre abril e junho. Se confirmada uma quebra relevante, os preços devem permanecer firmes ao longo do segundo semestre.
O mercado do café vive um momento de equilíbrio delicado entre oferta e demanda. Com clima instável, estoques limitados e pressão por sustentabilidade, o setor enfrenta um cenário de desafios e oportunidades. Para o produtor brasileiro, informação e gestão estratégica serão as principais ferramentas para atravessar 2025 com rentabilidade.
Fontes: ICE Futures, Cecafé, Conab, Reuters, Bloomberg, Valor Econômico, Notícias Agrícolas, Rabobank