O Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) anunciou um investimento histórico de US$ 8,5 bilhões para impulsionar o setor agropecuário da região até 2030. A iniciativa, batizada de “Prosperidade Agropecuária”, visa transformar o modelo de produção atual em uma estrutura resiliente, sustentável e regenerativa, com foco em segurança alimentar e desenvolvimento econômico inclusivo.
Alinhamento com a Agenda Verde Global
O plano foi apresentado em parceria com instituições como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), o IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), o FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola) e o PMA (Programa Mundial de Alimentos). O esforço coletivo visa acelerar a adaptação climática do agro latino-americano e reduzir sua vulnerabilidade diante de crises globais.
Quatro Eixos de Ação Estruturantes
A estratégia está ancorada em quatro frentes principais: transformação produtiva sustentável; desenvolvimento rural inclusivo; inovação e digitalização do agro; e integração regional de mercados. Cada eixo será executado com projetos específicos de cooperação técnica, financiamento e capacitação de produtores.
O investimento mira, sobretudo, pequenos e médios agricultores, historicamente excluídos dos grandes programas de crédito e tecnologia. Com o apoio da CAF, esses produtores terão acesso a sistemas de irrigação eficientes, assistência técnica, conectividade rural e crédito facilitado para adoção de práticas regenerativas.
Um dos pilares do plano é expandir a agricultura regenerativa, com foco em recomposição de solos, sistemas agroflorestais, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e manejo sustentável da água. O modelo visa restaurar ecossistemas, sequestrar carbono e aumentar a resiliência das propriedades frente aos extremos climáticos.
Integração de Mercados Regionais
Outro objetivo da estratégia é fortalecer a integração comercial entre os países da América Latina e Caribe. Isso inclui investimentos em infraestrutura logística, padronização de certificações e ampliação do comércio intrarregional de alimentos, sementes e insumos.
O Brasil é peça-chave na execução dessa estratégia. Como maior produtor agropecuário da região, o país poderá receber parte significativa dos recursos, especialmente em projetos ligados à bioeconomia amazônica, rastreabilidade de cadeias produtivas e modernização tecnológica.
Desafios a Enfrentar
Apesar do otimismo, especialistas alertam para os desafios da execução: falta de governança em algumas regiões, sobreposição de políticas nacionais, burocracia e instabilidade política podem dificultar o alcance das metas estabelecidas até 2030.
Se bem implementado, o plano pode beneficiar mais de 15 milhões de produtores na região, elevar o PIB agropecuário latino-americano em até 15% e gerar impactos positivos na balança comercial de diversos países, além de promover inclusão social e reduzir desigualdades no campo.
O anúncio do CAF sinaliza um novo tempo para o agro latino-americano: mais sustentável, mais integrado e mais preparado para os desafios globais. O investimento bilionário pode transformar a agricultura da região em um exemplo de inovação ecológica e desenvolvimento social para o mundo.
Fontes: El País, Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), FAO, IICA, FIDA, PMA, Agência EFE