O início oficial da safra de cana-de-açúcar 2025/26 na região Centro-Sul do Brasil foi marcado por incertezas climáticas e pressões financeiras. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o excesso de chuvas em março dificultou a colheita e atrasou o início da moagem em diversas usinas, especialmente em São Paulo e Paraná.
A estimativa inicial da Unica aponta para uma moagem de aproximadamente 590 milhões de toneladas, volume semelhante ao do ciclo anterior. A produção de açúcar tende a ser priorizada em detrimento do etanol, por conta da maior lucratividade nos mercados internacionais. No entanto, os custos logísticos e climáticos desafiam esse equilíbrio.
Etanol Perde Competitividade
Com a gasolina mais barata nos postos e a alta do milho e da cana, o etanol hidratado tem perdido competitividade. Em março, o litro foi comercializado a R$ 2,34 nas usinas paulistas, queda de 9,1% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o Cepea. O recuo nos preços pressiona as margens de produtores que apostaram no biocombustível.
As exportações de açúcar seguem firmes, com o Brasil embarcando cerca de 2,2 milhões de toneladas em março. O dólar em alta e a quebra de safra em países como Índia e Tailândia favorecem o Brasil, que deve manter a liderança global na exportação do adoçante.
Custo de Produção Continua Subindo
Mesmo com preços favoráveis no mercado externo, o custo de produção segue como uma ameaça. Fertilizantes, diesel e peças agrícolas continuam pressionando as contas das usinas e dos fornecedores de cana. O custo médio por tonelada processada subiu 7,5% em relação ao ano anterior, de acordo com levantamento do Pecege.
As chuvas frequentes também dificultam a logística de escoamento da produção. Estradas vicinais em más condições, excesso de umidade e congestionamento nos portos complicam o transporte de açúcar e etanol. Investimentos em infraestrutura seguem como gargalo estrutural do setor.
Cogeração de Energia Mantém Relevância
A produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana segue como alternativa estratégica. Mesmo diante da queda nos preços da energia no mercado livre, usinas mantêm o foco na diversificação de receitas com cogeração, que também melhora a imagem sustentável do setor.
O setor canavieiro também enfrenta a crescente exigência internacional por rastreabilidade e menor emissão de carbono. A adaptação às normas da União Europeia e a busca por certificações como o Bonsucro ganham importância na manutenção de mercados estratégicos.
Produtor Independente Sente Mais
Enquanto grandes grupos conseguem diluir os custos com escala e tecnologia, os produtores independentes enfrentam maior dificuldade para manter rentabilidade. A busca por parcerias com cooperativas e contratos de longo prazo com usinas tem sido uma saída para equilibrar as finanças.
A safra de cana 2025 começa sob pressão: clima instável, custos em alta e demanda por eficiência. Apesar das boas perspectivas para o açúcar no mercado externo, o etanol sofre e os pequenos produtores buscam alternativas para sobreviver. O setor mostra resiliência, mas precisa de apoio estrutural para manter sua competitividade global.
Fontes: Unica, Cepea, Pecege, MAPA, Canal Rural, Valor Econômico, Notícias Agrícolas