O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou dados atualizados sobre estoques trimestrais de soja em 1º de abril de 2025, e os números não agradaram aos produtores. Os estoques norte-americanos alcançaram 1,91 bilhão de bushels, um aumento de 4% em comparação ao mesmo período de 2024. O dado superou as expectativas do mercado e foi imediatamente interpretado como baixista pelas bolsas de commodities.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros para maio recuaram para US$ 10,14 por bushel, refletindo uma queda acentuada nas negociações do dia. O mercado já vinha pressionado por sinais de demanda internacional mais lenta e clima favorável para o plantio nos EUA. Com os estoques mais altos, o sentimento de baixa se intensificou.
Produtores Brasileiros Ficam em Alerta
No Brasil, o impacto foi sentido nas principais regiões produtoras. As cotações internas registraram recuos, com a saca de 60 kg oscilando entre R$ 116 e R$ 120 nos estados do Mato Grosso, Goiás e Paraná. A valorização do real frente ao dólar agravou o cenário, reduzindo a competitividade da soja brasileira no mercado externo.
Mesmo com uma redução de 4% na área plantada nos EUA — totalizando 83,495 milhões de acres — os estoques elevados prevaleceram como fator determinante. Isso frustrou a expectativa de recuperação nos preços com base em menor oferta.
Pressão nas Exportações Brasileiras
Exportadores brasileiros observam com cautela a movimentação internacional. A China, principal compradora, vem diversificando seus fornecedores e sinalizando compras menores no curto prazo. O Brasil, embora ainda lidere as exportações globais da oleaginosa, pode enfrentar uma janela mais estreita para comercialização com boa margem.
O mercado interno brasileiro sente os reflexos do cenário externo. Com custos de produção elevados e margens apertadas, produtores adiam a comercialização na esperança de melhora nos preços. Cooperativas e tradings relatam baixa liquidez nas negociações de abril.
Estoques Globais Elevados Preocupam
Além dos EUA, outros países produtores também estão com estoques mais altos do que o esperado. Isso sinaliza que o mercado pode permanecer pressionado por mais tempo, limitando reações de alta mesmo diante de eventual adversidade climática nos próximos meses.
Com o cenário volátil, cresce a busca por mecanismos de proteção como hedge e barter. Consultores recomendam que os produtores intensifiquem o uso dessas ferramentas para mitigar riscos e assegurar receita mínima diante de um mercado cada vez mais incerto.
Perspectiva para o Segundo Semestre
Especialistas apontam que os preços da soja só devem reagir caso haja cortes agressivos na estimativa de produção americana ou problemas climáticos severos. Até lá, o foco do produtor será a redução de custos e o planejamento de uma comercialização mais segura.
A queda dos preços da soja em 2025 acende o alerta no campo. O excesso de estoques e o recuo nas cotações exigem dos produtores brasileiros uma gestão mais cautelosa, foco em estratégias de proteção e atenção redobrada aos movimentos do mercado internacional.
Fontes: USDA, CEPEA, Canal Rural, Notícias Agrícolas, Bloomberg, Reuters, CME Group