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Dólar a R$ 6,09? Projeção do Rabobank Alerta para Impactos no Agro

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O Rabobank, um dos principais bancos globais com foco no agronegócio, divulgou recentemente uma projeção que tem movimentado o mercado: o dólar pode chegar a R$ 6,09 até o final de 2025. A estimativa vem acompanhada de preocupações com a trajetória fiscal do Brasil e o cenário de juros nos Estados Unidos, que favorece a saída de capital estrangeiro de mercados emergentes.

Efeitos Diretos no Agronegócio

Essa possível valorização do dólar pode gerar efeitos ambíguos no agronegócio brasileiro. De um lado, torna as exportações mais atrativas, aumentando a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional. Por outro, eleva os custos de produção, especialmente para culturas dependentes de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas.

A depreciação do real eleva significativamente os preços de insumos agrícolas. Fertilizantes, sementes geneticamente modificadas e maquinário importado podem ter aumentos expressivos, pressionando as margens dos produtores, especialmente os de menor porte. Em um cenário de dólar acima de R$ 6,00, o repasse de preços para o consumidor interno se torna inevitável.

Exportações Favorecidas, Mas com Riscos

A princípio, a exportação de soja, milho, carne e café se beneficiaria da valorização cambial. No entanto, o Rabobank adverte que mercados compradores — como China e União Europeia — estão cada vez mais exigentes em relação a critérios socioambientais. Ou seja, não basta estar mais barato: é preciso comprovar origem sustentável e rastreável.

O cenário projetado também considera um aumento no diferencial de juros entre os Estados Unidos e o Brasil. Com a taxa básica brasileira em trajetória de queda e o Federal Reserve indicando manutenção ou alta dos juros americanos, há uma tendência de migração de capitais para ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro americano.

Impacto nos Investimentos no Campo

Com o dólar mais caro e o crédito mais restrito, o apetite por investimentos no setor agro pode cair. Itens como armazenagem, irrigação, mecanização e tecnologia tendem a sofrer com encarecimento e possível retração no acesso a financiamento. As linhas de crédito em moeda estrangeira, em especial, tornam-se mais onerosas.

A Resiliência do Agro em Xeque

O agro brasileiro é conhecido por sua resiliência, mas o cenário cambial projetado impõe novos desafios. A necessidade de gestão eficiente de risco cambial e a busca por alternativas nacionais de insumos e tecnologias ganham protagonismo nas estratégias das propriedades rurais.

Analistas sugerem que os produtores considerem operações de hedge cambial, renegociação de contratos de insumos e adoção de modelos produtivos menos dependentes de importações. A valorização do dólar também pode ser uma oportunidade para acelerar o uso de bioinsumos e tecnologias desenvolvidas no Brasil.

Setor Pressiona por Estabilidade Fiscal

O Rabobank ressalta que parte da pressão sobre o câmbio poderia ser mitigada com uma sinalização mais clara do governo sobre controle de gastos e responsabilidade fiscal. O setor agro, que depende da previsibilidade econômica, tem pressionado por reformas estruturantes e uma política monetária coerente com o equilíbrio macroeconômico.

A projeção de dólar a R$ 6,09 em 2025 é um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. Embora represente um alívio para as exportações, pode comprometer seriamente os custos de produção, os investimentos no setor e a competitividade a médio prazo. Planejamento, gestão de risco e inovação serão indispensáveis para atravessar esse cenário com solidez.

Fontes: Rabobank, Exame, Valor Econômico, CNA, Ministério da Agricultura, Notícias Agrícolas

 

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