O mercado de grãos tem enfrentado oscilações significativas nas últimas semanas, impactado por fatores climáticos, demanda global e variações cambiais. A soja e o milho, principais commodities do setor, registraram movimentos distintos nos últimos dias.
Soja: Recuperação ou instabilidade?
Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram alta de 2,1%, atingindo US$ 13,80 por bushel, impulsionados pela demanda chinesa e preocupações com a safra brasileira. As chuvas irregulares no Brasil, especialmente no Centro-Oeste, afetam o potencial produtivo, limitando a oferta global.
A perspectiva de uma safra menor no Brasil fortalece os preços, mas analistas alertam que o mercado ainda está volátil. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu sua previsão de estoques globais de soja, o que deve sustentar a tendência de alta nos próximos meses.
Milho: Queda nos preços preocupa produtores
Ao contrário da soja, o milho registrou queda de 1,7% nos últimos dias, com contratos a US$ 4,80 por bushel na CBOT. O principal motivo é a expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos e Brasil, aumentando a oferta global. A colheita avançada no Brasil e a estagnação da demanda externa também pressionam os preços para baixo.
No Brasil, produtores avaliam segurar a venda na esperança de uma recuperação dos preços. A recente desvalorização do real frente ao dólar favorece as exportações, mas os estoques elevados nos principais mercados consumidores geram incertezas.
O mercado de grãos deve continuar volátil nas próximas semanas, com atenção especial para o clima na América do Sul e movimentação cambial. Investidores e produtores aguardam novos relatórios do USDA e avaliam estratégias de comercialização diante das incertezas globais.
Fontes: USDA, Conab, Cepea/Esalq, Reuters.