O mercado do café segue em ascensão, com os preços registrando novas altas e acendendo um alerta para consumidores e produtores. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do arábica alcançaram US$ 2,75 por libra-peso, um aumento de 6% na última semana, impulsionado pela escassez de oferta e pelo câmbio favorável aos exportadores.
Motivos da alta
A seca prolongada e ondas de calor no Brasil impactaram a safra 2024/2025, reduzindo a qualidade e quantidade do café disponível. A Colômbia, outro grande produtor, também enfrenta desafios climáticos, agravando a restrição na oferta global. Além disso, o dólar valorizado tem encorajado os exportadores a segurar os estoques, aguardando melhores cotações internacionais.
Outro fator relevante é a demanda crescente por café especial, principalmente nos mercados da Europa e Ásia, onde o consumo per capita tem aumentado ano após ano. As torrefadoras estão disputando lotes de maior qualidade, pressionando os preços para cima.
O perigo do “café falso”
Com a escassez e preços elevados, tem crescido a preocupação com fraudes na composição do café. Relatórios indicam aumento na presença de impurezas, como milho e cevada torrados misturados ao pó, especialmente em marcas mais baratas. A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) alerta os consumidores a verificarem selos de qualidade e evitarem produtos de procedência duvidosa.
A alta do café afeta diretamente a indústria de bebidas e cafeterias, que podem repassar os custos ao consumidor. Pequenos comerciantes, que já operam com margens reduzidas, podem sofrer mais com a volatilidade do mercado.
O mercado deve continuar aquecido nos próximos meses, com previsão de novos reajustes até meados de 2025. A expectativa é que o setor se estabilize somente na safra 2026, caso as condições climáticas sejam favoráveis e os estoques globais sejam recompostos.
Fontes: ABIC, Cepea/Esalq, Bolsa de Nova York, USDA, Bloomberg.