Dados do IBGE apontam que, mesmo com crescimento médio de 3% ao ano na agropecuária na última década, o setor viu o número de pessoas ocupadas cair 3% em 2024, atingindo 7,88 milhões de trabalhadores. É o menor patamar desde 2012, reflexo direto da adoção crescente de tecnologias que substituem mão de obra humana por automação e inteligência de dados.
A Revolução Tecnológica no Agro
Tratores autônomos, drones pulverizadores, sensores de solo, softwares de gestão e colheitadeiras equipadas com inteligência artificial tornaram-se realidade em muitas propriedades, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Essas tecnologias aumentam a produtividade e a precisão das operações, mas reduzem a necessidade de trabalho braçal.
Concentração e Profissionalização
Com o avanço tecnológico, o campo exige cada vez mais mão de obra qualificada. A redução de vagas é acompanhada por uma maior concentração de renda e de produção. Pequenos produtores que não conseguem acompanhar o ritmo tecnológico acabam sendo absorvidos por médios e grandes grupos, que possuem maior capacidade de investimento.
Impactos Sociais nas Regiões Rurais
A queda na ocupação preocupa gestores públicos e entidades sociais. Municípios cuja economia depende fortemente do trabalho agrícola enfrentam dificuldades para realocar trabalhadores. O êxodo rural, embora menor que em décadas passadas, volta a crescer em algumas regiões.
Especialistas apontam que a única forma de equilibrar o avanço tecnológico com inclusão social é por meio da educação técnica. Cursos de agroinformática, operação de máquinas de precisão e gestão digital de propriedades estão em alta, mas ainda não chegam com força nas regiões mais carentes.
Tecnologia Gera Novas Profissões
Apesar da redução de vagas tradicionais, o agro digital criou novas profissões: pilotos de drones, analistas de dados agrícolas, consultores em agricultura de precisão e técnicos em georreferenciamento são exemplos de uma nova geração de trabalhadores do campo. O desafio está em preparar a mão de obra para essa transição.
Entidades como a CNA e o Senar vêm ampliando suas ofertas de formação técnica. No entanto, ainda há carência de políticas públicas consistentes para garantir que trabalhadores deslocados pela automação tenham acesso a uma nova colocação no setor ou em atividades alternativas na zona rural.
Cooperativas agropecuárias têm desempenhado papel fundamental na capacitação dos pequenos produtores e seus empregados. Programas de inclusão digital, compartilhamento de máquinas e assistência técnica estão ajudando a mitigar o impacto da automação em algumas regiões.
Produtividade em Alta, Desigualdade em Risco
A produtividade da agropecuária brasileira nunca foi tão alta. No entanto, o setor corre o risco de ampliar desigualdades se não garantir que os avanços tecnológicos venham acompanhados de inclusão produtiva. A modernização não pode deixar ninguém para trás.
O agro brasileiro caminha para um modelo cada vez mais tecnológico, eficiente e competitivo. Mas o custo social da redução de postos de trabalho precisa ser enfrentado com políticas públicas, formação técnica e inovação inclusiva. O desafio agora é transformar o avanço em uma oportunidade compartilhada por todos.
Fontes: IBGE, CNA, Senar, Globo Rural, Embrapa, Valor Econômico, Ministério da Agricultura