Nas últimas semanas, o mercado da soja presenciou uma escalada expressiva nos preços, com a saca atingindo R$ 180 nos principais portos brasileiros. Esse aumento, equivalente a 15% em relação ao mês anterior, foi impulsionado pela seca severa que afeta áreas produtoras na Argentina e em algumas regiões do Brasil. Esses fatores reduziram a oferta global, ao mesmo tempo em que ampliaram a procura pela produção nacional, especialmente por parte da China. Além disso, a desvalorização do real em relação ao dólar favoreceu a competitividade brasileira no mercado internacional.
Impactos na Exportação
Embora os preços elevados tragam benefícios financeiros aos produtores, eles também apresentam desafios. Por exemplo, compradores importantes, como China e União Europeia, começaram a renegociar contratos e, em alguns casos, reduziram o volume importado. Até o momento, as exportações brasileiras de soja somam 86 milhões de toneladas em 2024, o que representa uma queda de 6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa redução é atribuída, principalmente, à resistência dos mercados importadores diante do aumento de custos.
Além disso, como consequência direta dessa valorização, outras commodities ligadas à soja, como o farelo e o óleo, também enfrentaram altas em seus preços. Tal comportamento pressiona ainda mais os consumidores internacionais a buscar alternativas mais acessíveis.
Dilema da Indústria Nacional
Internamente, a alta nos preços tem repercussões significativas para a indústria. O setor de rações, essencial para a criação de aves e suínos, reporta dificuldades crescentes em manter margens de lucro. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), o custo médio da soja aumentou cerca de 18% em comparação ao ano passado. Isso, por sua vez, eleva os preços finais de carnes e ovos no mercado interno, gerando preocupações em relação à inflação alimentar.
Além disso, o setor de biodiesel enfrenta um dilema similar. A produção de óleo de soja, utilizado como base para o biodiesel, pode sofrer uma redução de até 10% nos próximos meses, caso os preços continuem elevados. Dessa forma, os impactos se espalham por diversas cadeias produtivas.
Perspectivas
Analistas sugerem que a oferta global pode ser normalizada em 2025, caso as condições climáticas melhorem na América do Sul. Enquanto isso, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar sua competitividade no mercado externo e as demandas internas, sem prejudicar seu setor industrial.