O mercado global da soja em 2025 está sendo sacudido por uma combinação de fatores geopolíticos, climáticos e comerciais. A disputa comercial entre Estados Unidos e China reduziu a competitividade da soja americana, enquanto o Brasil desponta como o principal exportador global. O cenário é de forte demanda, preços instáveis e mudanças estratégicas entre os maiores produtores mundiais.
Brasil Assume a Liderança
O Brasil deve consolidar mais uma vez sua posição como maior fornecedor mundial da oleaginosa. No primeiro trimestre de 2025, já foram exportadas 22,8 milhões de toneladas, das quais 17,7 milhões com destino à China. A safra 2024/2025, estimada em 156,5 milhões de toneladas pela Conab, garante volume suficiente para atender tanto ao mercado externo quanto à demanda interna.
Com a escalada das tensões comerciais com a China e margens pressionadas por custos elevados, os Estados Unidos reduziram em 4,2% a área plantada com soja nesta temporada. Isso abre espaço para maior protagonismo do Brasil e da Argentina, que devem ampliar sua participação nos mercados asiáticos e europeus.
Demanda Chinesa Sustenta o Mercado
A demanda chinesa por farelo e óleo de soja continua sendo o principal pilar de sustentação dos preços globais. Mesmo com estoques elevados, o país asiático mantém compras regulares para alimentar sua gigantesca cadeia de produção de suínos, aves e aquicultura. A preferência pela soja brasileira, considerada mais confiável neste momento, fortalece os embarques nacionais.
Na Bolsa de Chicago, os preços da soja variam entre 1.180 e 1.230 centavos de dólar por bushel, com alta volatilidade. O mercado reage à divulgação dos relatórios do USDA sobre estoques e intenção de plantio, além de acompanhar o clima no Meio-Oeste americano, onde as chuvas estão atrasando o início do plantio.
Logística Brasileira Sob Pressão
Com os portos operando próximos da capacidade máxima, especialmente Santos e Paranaguá, o Brasil precisa resolver gargalos logísticos para manter a eficiência nas exportações. A dependência de transporte rodoviário e as filas de carregamento são desafios recorrentes que impactam os custos e a competitividade.
No mercado brasileiro, a saca de 60 kg da soja é negociada entre R$ 116 e R$ 123 nas principais praças, como Mato Grosso, Goiás e Paraná. A valorização cambial e a demanda aquecida ajudam a sustentar os preços, mesmo com o avanço da colheita.
Custos Preocupam Produtores
Embora os preços estejam firmes, o custo de produção segue elevado. Fertilizantes, sementes e defensivos registraram aumentos médios de 14% nos últimos 12 meses, segundo levantamento do CEPEA. A margem de lucro está diretamente atrelada à eficiência da gestão e à produtividade da lavoura.
A rastreabilidade da soja brasileira volta ao centro do debate com a entrada em vigor da regulamentação europeia contra o desmatamento. Produtores e tradings estão sendo obrigados a apresentar documentação detalhada da origem da produção, sob pena de perder contratos.
O mercado da soja em 2025 é um jogo de forças entre clima, geopolítica, infraestrutura e exigências ambientais. O Brasil, embora em vantagem competitiva, precisará investir em logística, sustentabilidade e inovação para manter a liderança global. O mundo segue comprando — resta saber quem conseguirá entregar.
Fontes: Conab, USDA, CEPEA, Canal Rural, Notícias Agrícolas, Bloomberg, Reuters, MAPA