O Congresso Nacional aprovou, em 20 de março de 2025, a Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício financeiro de 2025, estabelecendo despesas totais de R$ 5,9 trilhões e prevendo um superávit de R$ 15 bilhões. Entre os órgãos públicos ligados à agropecuária, todos tiveram aumento de recursos em relação ao projeto original encaminhado pelo governo federal. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) obteve um incremento de 32,75%, totalizando R$ 8,14 bilhões.
Apesar dos aumentos, o setor agropecuário manifesta preocupações quanto ao financiamento de programas essenciais. O orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) foi aprovado em R$ 1,06 bilhão para 2025, valor considerado insuficiente diante da demanda do setor, que gira em torno de R$ 4 bilhões. Essa limitação pode comprometer a proteção dos produtores contra adversidades climáticas e outros riscos inerentes à atividade agropecuária.
Além disso, a recente elevação da taxa básica de juros (Selic) para 14,25% ao ano adiciona uma camada de complexidade ao cenário. O aumento dos juros encarece o crédito rural, dificultando o acesso dos produtores a financiamentos necessários para custeio e investimento. Especialistas apontam que a combinação de recursos orçamentários limitados e juros elevados representa um desafio significativo para a execução do Plano Safra 2025/2026, principal política de financiamento agrícola do país.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressou preocupação com a sustentabilidade econômica dos produtores diante do aumento nos custos de produção e das limitações orçamentárias. A entidade destaca a necessidade de fortalecer a gestão de riscos e buscar fontes alternativas de financiamento, como o mercado de capitais, para complementar os recursos públicos.
Diante desse cenário, lideranças do setor agropecuário têm pressionado o governo por uma revisão emergencial do orçamento, visando assegurar os recursos necessários para o desenvolvimento sustentável da agricultura e pecuária no país. A aprovação do orçamento de 2025, embora represente um avanço, evidencia a necessidade de planejamento estratégico e diálogo contínuo entre governo e setor produtivo para enfrentar os desafios econômicos e climáticos que impactam a agropecuária brasileira.